2011
(83º) |
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Meu S. João, não me
caso.
Sou solteiro e estou contente...
É na mudança de vaso
Que o manjerico mais sente!... |
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Sais de mansinho e eu
fico
A pensar se, por acaso,
Teu viçoso manjerico
Não tem rega noutro vaso! |
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Cá no bairro há uma
data
De gente em desassossego.
Não há santos na cascata,
Estão todos no desemprego. |
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Passarada |
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João
André |
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Bé |
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Se a sete chaves
guardaste
O manjerico em solteira,
Como foi que te casaste
De balão na dianteira?... |
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Meu amor, toma
cuidado,
Vê lá na rusga que vais
Se dás um passo mal dado,
Já não te seguras mais!... |
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Uma mulher convencida
É como o chefe da banda:
Enche de música a vida
Sem nunca entrar na ciranda! |
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Manel |
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Simplex |
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João
Pedro |
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De saia curta e com
folhos,
Bailas com tanto prazer
Que, só ao ver-te, os meus olhos
Também bailam sem querer. |
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Estranha contradição
Teve a Maria que, em brasa,
Fez a festa sem balão
E foi de balão pra casa!... |
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Parti o meu mealheiro
Mas, São João, que alegria;
Fico teso o ano inteiro
Mas sou rico no teu dia. |
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Farripas |
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Sara |
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Rodela |
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Cascatas de São João
Têm sentido profundo:
São fiel reprodução
Da cascata que é o Mundo. |
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São João, num golpe de
asa
Tive a noite mais quentinha...
Ao puxar a bela brasa
Só para a minha sardinha. |
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Com tua saia de
folhos,
Bailaste, num desatino;
São João fechou os olhos
E tapou os do menino... |
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Flor
Agreste |
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Pintador |
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Vistão |
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| 2010 |
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Não me estreites de
maneira
Que me impeça respirar.
Lembra-te, amor, que a fogueira
Só arde se tiver ar!... |
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Num manjerico com arte
Toda uma vida se entende,
Com ele, a vida se parte,
Se dá, se compra e se vende... |
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S. João, a festa é
tua,
Não queiras fazê-la a sós.
Junta-te aos santos da rua...
Que não dão ponto sem nós. |
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Rosarinho |
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Videirão |
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Damas |
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Mesmo fria, é sempre
bela
A noite de S. João.
Nunca a orvalhada gela
Quando é quente o coração. |
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Sorri feliz, o menino,
Aos ombros do pai babado:
Um S. João pequenino,
Num altar improvisado. |
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Pode murchar a
cidreira
Pode cair o balão
Pode morrer a fogueira
Nunca morre o S. João! |
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Ruca |
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Lana
Caprina |
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Neca |
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| 2009 |
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Dancei com tão pouca
arte
Que até o cravo ao meu peito,
Com o teu, num baile à parte,
Mostrou que tinha mais jeito!... |
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Solteira, não sei se
fico,
mas por casar-me não corro:
Não vou dar um manjerico
em troca de um alho porro. |
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Ver os balões na
subida
Mostrando ao mundo a fachada,
Faz lembrar os que na vida
Sobem cheiinhos de nada!... |
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Agostinho |
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Becas |
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Neca |
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| 2008 |
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Quando a Maria bailar
Com a saia de balão,
Até as nuvens do ar
Querem ser pedras do chão. |
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Ir numa rusga qualquer
É dança em que não me dou;
Se eu fosse como alguém quer
Nunca mais era quem sou!... |
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Cuidado com esse jogo
De brincar junto à fogueira:
Pode o santo pôr-nos fogo
E sai cara a brincadeira. |
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Peixoné |
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Fogueira Nova |
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Lana
Caprina |
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| 2007 |
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O pobre que faz,
cantando,
Do lar, cascata modesta,
Vê nos seus filhos brincando
Os balõezinhos da festa! |
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Um miudo vagabundo,
Quando lhe dei o balão,
Pensava levar o mundo
Preso no fio da mão. |
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No dança trocaste o
passo,
Troquei o meu, em seguida...
E acertámos o compasso
Prá dança da vida! |
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Justino |
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Fidalgo |
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Tic
Tac |
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| 2006 |
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Eu sou a fonte vadia
Dum S. João vagabundo
Que mata a sede à folia
Da maior noite do mundo. |
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Meu balão não é
d'espanto!
Não tem vinda, só tem ida,
Leva risos, leva pranto...
Tudo faz parte da vida. |
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Com tua mão presa à
minha
Fui à fonte e não bebi.
A estranha sede que tinha
Era só sede de ti! |
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Resende |
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Nana |
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Fingidor |
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| 2005 |
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Fogueiras de amor, já
fiz,
Mas ocultei-lhes a chama.
A alma ama e não diz,
A boca diz mas não ama. |
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Pelo Santo António
vi-te,
P'lo S. João fui falar-te;
No S. Pedro convenci-te,
Falta um santo p'ra deixar-te. |
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Não me peças que te
conte
Onde é que tenho bailado;
Fogueira que arde no monte,
Tem presente e não passado... |
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Amante
sincero |
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Teimoso |
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Tucha |
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| 2004 |
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Sou ateu, mas faço
santos,
Cascatas, figuração;
Faço risos, faço prantos;
Faço a vida ó São João! |
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Uma oculta semelhança
No baile vi traduzida:
São vida os passos de dança,
São dança os passos da vida. |
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Sem ter dons de
pensamento,
Sem ser santo ou vagabundo;
nunca tive acolhimento
nas cascatas deste mundo... |
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Artesão |
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Poeta
bailarino |
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Pau
Santo |
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| 2003 |
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O ferrenho "Zé
tripeiro"
Passou a noite de vela;
Com S. João num craveiro
E o Porto na lapela... |
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Já nem tu mesmo
adivinhas,
Ó meu rico S. João,
Quanto custam três sardinhas,
Um copo, um naco de pão... |
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Manjerico preso ao
vaso
É mulher de corpo inteiro:
Se não lhe toco... não caso.
Se lhe toco... perde o cheiro... |
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Goldes |
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Velho
Saudoso |
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Hesitante |
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| 2002 |
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Menina, tome cuidado
Nesse seu passo de dança...
Nem sempre um passo mal dado
Acaba numa aliança. |
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Menina que à redea
solta
Mostra na dança os encantos,
Cautela que à tua volta
Há joões que não são santos... |
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Com mais olhos que
barriga
Tiraste a saia de folhos;
Agora vês, rapariga,
Tens mais barriga que olhos... |
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Olho
Vivo |
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Pensador |
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Malandreco |
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| 2001 |
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Os olhos duma criança
São de luz, lá bem no fundo.
Dois balõezinhos de esperança
No céu cinzento do mundo. |
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Na rusga fui azougada,
No baile fiz o que pude.
Quem quer gozar a noitada
Não faz favores à virtude. |
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Tem fé na vida, tem
calma,
Tenta a sorte, que ele existe;
procura a sorte na alma
de um trevo que nunca viste... |
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Doravante |
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Graça
Menina |
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Ex
corde |
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| 2000 |
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Nesta vida, S. João,
Nada se pode agarrar.
P'ra ver subir o balão
Nós o temos que largar... |
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Chinelinha de tacão,
São João, entrei na valsa.
Foi tão grande o trambolhão,
Dei por mim, estava descalça... |
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Eu sou fogueira
cansada,
Mesmo assim quero ir à festa.
São João, vou p'rà noitada
Queimar a lenha que resta... |
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Madalena |
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Maria
descalça |
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D.
Beija |
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| 1999 |
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Nenhum santo é menos
santo
Por estar numa cascata
Que um pobre ergueu, com encanto,
Num simples bairro de lata... |
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O casebre era a
cascata,
E o velho, sentado ao fundo,
Era um S. João, sem data,
Com todo o sonho do mundo! |
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Meu amor, teu
alho-porro
Namora o meu manjerico...
Quando se beijam, sem gorro,
Que sobressaltada eu fico! |
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Roque
Santeiro |
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Presepe Vivo |
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Atos |
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| 1998 |
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Tanto bateu a chinela
Ao bailar com o seu Zé;
Tomou-lhe o gosto, hoje é ela
Em casa, a bater-lhe o pé. |
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A fonte é como a
mulher
Que ama sem ser amada;
Não bebe e dá de beber,
Só beija quando é beijada. |
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De saias curtas,
travadas,
Rainhas da solidão;
Sois ervas-santas pisadas
Que ninguém ergue do chão... |
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Bailinho |
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Ex.corde |
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Nora
Guey |
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| 1997 |
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Meu amor foi um balão
Que depressa se perdeu.
Bastou-me soltar-lhe a mão
E foi um ar que lhe deu! |
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Nos bailes de S. João
Troquei penas por compassos.
Por isso cumpro prisão
Na cadeia dos teus braços. |
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Com ares de balão
enchendo
Cuidando não mais cair,
Há os que sobem descendo,
Porque descem para subir. |
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Clone |
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Preso
incorrigível |
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Primo |
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| 1996 |
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Minha mulher, meu
enlevo,
Balão, manjerico e brasa...
- Por que hei-de ir atrás do trevo
Se já tenho a sorte em casa? |
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Liberta o meu coração,
É balão que quer partir...
Nunca prendas o balão,
Que o rumo dele é subir! |
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Não ouças, não digas
nada,
Deixa lá falar quem fala;
Pois o melhor da noitada
É aquilo que se cala... |
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Homem
Feliz |
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Nova
era |
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Kalado |
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| 1995 |
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Fogueira à porta de
casa
Isso era antigamente...
Hoje onde quer se faz brasa
Aos olhos de toda a gente. |
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Acabada a reinação,
Vim da festa acompanhado.
Quis passar por gavião,
Acabei pombo anilhado. |
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No S. João tu não
andes
À noite nas Fontainhas;
Deixa essas festas grandes
Que eu faço-te umas festinhas... |
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Olho à
Espreita |
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Vaga-lume |
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Rateira |
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| 1994 |
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Se não me queres, só
me resta
Vir da festa antes do fim.
Não me interessa estar na festa
Sem a festa estar em mim! |
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Ah poeta! Tu desfolhas
Tua sorte em tons diversos:
No trevo de quatro folhas,
Na trova de quatro versos... |
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Achas bem que cheire a
rico
O vaso que te contém;
Mas teres outro manjerico,
A mim, não me cheira bem... |
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Bê-Gê-Vê |
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Pó-e-tá |
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Maneiras de ver |
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| 1993 |
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Com três folhinhas
somente
Fez Deus o trevo perfeito:
- que triste a sorte da gente
Se a sorte está num defeito! |
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Não me canses a
bailar,
Meu amor, nesta noitada,
Porque 'inda quero rodar
Nos braços da madrugade... |
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Quando surges,
debruçada
No peitoril da janela,
Diz toda a gente espantada:
- Não há cascata mais bela! |
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Raio-X |
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Ex
corde |
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Flor
da noite |
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| 1992 |
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Meu balão, não vás
pedir
A ajuda do vento forte:
Na vida, para subir,
Basta um arzinho de sorte... |
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Ontem, lenha cobiçada.
Hoje, fogueira acendida.
Amanhã, chama apagada.
E depois... cinza esquecida... |
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A tua saia em balão
Quando danças, sobe tanto,
Que quem vem ao S. João
Já nem quer saber do santo... |
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Té-Té |
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Cinza
Esquecida |
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Marocas |
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| 1991 |
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Despe esse teu
preconceito.
Se fores bailar, tira o xaile.
Porque o par que tens no peito
É o melhor que está no baile! |
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Meu amor! Não vás
pasmar
Se um dia voltar p'ra ti:
- eu quero ressuscitar
Na fogueira onde morri! |
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Na rusga deste-me a
volta
Depois das voltas que demos...
E eu que era barco à solta
Hoje sou barco com remos. |
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Minzo |
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Rio
douro |
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Nita |
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| 1990 |
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Se alguma coisa te
devo,
Não fales... tudo passou;
Pois eu nunca ouvi o trevo
Falar de quem o cortou! |
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Se dançamos, sou
fogueira;
Se me abraças, fogo preso,
Por te amar, queira ou não queira,
Trago sempre o lume aceso! |
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Um beijo que foi
fogueira
Nunca na vida se esquece,
Pois queimou de tal maneira
Que nem em cinza arrefece. |
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Lula |
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Rosa
Agreste |
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Almacave |
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| 1989 |
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S. João: bailo
contente
Na rusga que hoje renasce;
O pobre também é gente
Nem que dos sonhos não passe! |
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Mesmo velhos,
companheira,
Também nós vamos à festa;
Acender uma fogueira
Com a lenha que nos resta! |
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A nossa rusga é
modesta
Mas lá vai toda contente,
Mostrando dentro da festa
Que a festa é dentro da gente! |
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Orion |
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Kuricas |
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Benamor |
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| 1988 |
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É noite de S. João!
- E em cada rua modesta
Cada pedaço de chão
É um pedaço de festa! |
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Teu seio, a medo,
tocado,
Na noite de S. João,
Ficou-me sempre moldado,
Na concha da minha mão! |
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Em namoro ia atrás
dela,
A rusga de amor é assim.
Casámos, agora é ela
Sempre em rusga atrás de mim. |
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João
Humilde |
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Manuel
Corgo |
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Flor
da Giesta |
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| 1987 |
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Meu coração se
arrepia,
S. João, pois vem-me à ideia
Que há muita vida vazia
Mesmo nesta noite cheia! |
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Seja qual for teu
critério,
Tens, enfim, de concordar
Que um S. João mesmo a sério
Terá de ser a brincar. |
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Na festa, a rida que
eu faço
É bem pequena e singela:
- Meu braço com o teu braço
E nós os dois dentro dela. |
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Realista |
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Calíope |
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Esculápia |
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| 1986 |
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Quando na rusga
bailei,
Triste sina me marcou.
Se soubesse o que hoje sei,
Não seria o que hoje sou... |
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Tu cantas! - e eu
sinto mágoa
Do rosmaninho do monte
Que morre com sede de água
Ouvindo cantar a fonte... |
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Chamas-me velha
gaiteira
Por ir na rusga em alarde:
- lenha lançada à fogueira,
Quanto mais velha mais arde. |
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Solrac |
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Aganipe |
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Papau |
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| 1985 |
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Afina-me essa
guitarra,
Para eu deitar cantiga.
Esta noite sou cigarra:
Já basta de ser formiga! |
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Dei-te um pé de
manjerico,
Custou-me um dia sem pão...
- tripeiro que não é rico
Faz das tripas coração!... |
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Para não ter de aturar
Chatices que a gente tem,
S. João não quis casar
E fez ele muito bem. |
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|
Al
Minhas |
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Pé-descalço |
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Computador |
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| 1984 |
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Na noite de S. João,
Vagabundos, que excelência!
Ricos dormindo no chão
A fazer-vos concorrência... |
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Teu cravo de estimação
Tão atrevido que ele é!...
- Onde ninguém põe a mão,
Foi ele meter o pé... |
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Meninos dos bairros
pobres,
Pobres bonecos de louça
Que andais a pedir uns cobres:
São Joãozinho vos ouça! |
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Cravo
Rajado |
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Olho
Vivo |
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Anémona |
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| 1983 |
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Na rusga vão, lado a
lado,
Neto verde e avô maduro;
- que lindo é ver o passado
Encorajando o futuro! |
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Se procuras ser feliz,
Não olhes para o balão:
O trevo tem a raiz
Bem enterrada no chão! |
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Se a banda do meu
lugar
Não mudar já de repente,
Acabamos por dançar
À moda de antigamente. |
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Ruas |
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Psicadélico |
|
Quim
Anjos |
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| 1982 |
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Na noite de S. João,
As juras de amor fiel,
São bolinhas de sabão
E barquinhos de papel! |
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Eu sou como o tojo
bravo,
Que a própria sede enrijece!
Vive de mimos o cravo
Que à falta deles fenece! |
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Ao ver-te pobre e com
luxo,
Não sei bem o que pareces:
Como a água do repuxo,
Tanto sobes como desces. |
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Comicala |
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Leonardo |
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Pensador |
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| 1981 |
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Não há fogueira sem
lume,
Profecias sem profetas,
Não há amor sem ciúme
Nem S. João sem poetas. |
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Na roda te andei
buscando
Por te encontrar me perdi.
- Agora, perdida ando
Se vou na roda sem ti. |
|
O eco duma cantiga,
Na noite de S. João,
Pode ser aquela espiga
Que dá flor, farinha e pão. |
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|
Marujo |
|
Alça-Xofra |
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Notívago |
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| 1980 |
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Fonte velhinha, não
cantes
A convidar-me à noitinha:
Nem tu tens a água dantes
Nem eu a sede que tinha. |
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Com certas moças não
brinco
Em noite de S. João.
São como porta sem trinco
Que faz um homem ladrão. |
|
Pus o cravo na lapela
Esta noite, meu Santinho.
E dubruçado à janela
Fiz da saudade o caminho!... |
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|
Zefir |
|
Viajor |
|
Luar
de Janeiro |
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| 1979 |
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Manjericos - mar
florido
Sobre as pedras do passeio.
O menino adormecido
É S. João lá no meio!... |
|
Nesta noite, de alma
em brasa,
Cada um tem casa sua...
Cabemos todos em casa
Porque moramos na rua. |
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Não chora a fonte a
pedrada
Que a sua face maltrata,
Que o luar da madrugada
Vem pôr-lhe pensos de prata. |
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Maria
Berta Barros |
|
Manuel
Azevedo Mendes |
|
Maria
Amélia Rodrigues Novais |
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| 1978 |
|
Cá vou na rusga
contente,
Porque esta noite a cidade,
Mais do que um rio de gente,
É um mar de humanidade. |
|
Descalços são pombas
brancas
Teus pés bailando no asfalto...
- foi ao descer das tamancas
Que tu voaste mais alto! |
|
Querida: a nossa
ternura
Não se alterou, na verdade!
- Quando a fonte é de água pura
A sede não tem idade!... |
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M. dos
Prazeres de A. Lourenço |
|
António Júlio da Piedade Ferreira |
|
Manuel
Ferreira de Lima |
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| 1977 |
|
Na noite dos
manjericos
Vão no balão mais uns cobres.
Brincamos vida de ricos,
Vivemos vida de pobres. |
|
Os juros que tu me
deves
Do amor que te dedico,
Podes pagá-los em leves
Prestações de manjericos! |
|
Eu tenho mais
liberdade
Que o balão no firmamento.
Eu ando à minha vontade
E não ao sabor do vento... |
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|
Zé do
Norte |
|
Arraial |
|
Fogo-fátuo |
| |
|
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|
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| 1976 |
|
Menina, tenha cuidado,
Não caia, siga com jeito...
- Cravo que seja calcado
Ninguém o quer a seu peito... |
|
Tanto sonhei vê-los
grandes
Aos cravos meus - meus meninos,
E agora que eles cresceram
Quisera-os bem pequeninos. |
|
S. João! Comparo o
Povo
De cravo ao peito a cantar,
À força do vinho novo
Quando ferve no lagar! |
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|
Marcus |
|
Pato
Bravo |
|
La
Violetera |
| |
|
|
|
|
|
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| 1975 |
|
Ó S. João, quem me
dera
Ter o que não mais voltou!
Ser a figueira que eu era
E não a cinza que sou! |
|
Se a mensagem duma
trova
Vai inspirar quem a escuta,
S. João, isso é uma prova
Que a cantar também se luta! |
|
Melhor rusga não
consigo
Levar-te, meu S. João...
- Quinze filhos vão comigo
E ainda vou de balão!... |
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|
Ave
Alegre |
|
Gui |
|
Tinita |
| |
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| 1974 |
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Povo! Na tua fé louca,
Cantavas p'ra não chorar!...
- Hoje, sem cravos na boca,
Choras de poder cantar. |
|
Cravo rubro era sinal
De liberdade - dizias.
Que maneira original
Com que afinal me prendias!... |
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Raro apareces e eu
fico
Mais sedento cada vez;
Ninguém vinga um manjerico
Regado de mês a mês. |
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Topázio |
|
Fogo
Preso |
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Ticotico |
| |
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| 1973 |
|
A roda do nosso abraço
Tem um sentido profundo:
Quanto mais se aperta o laço
Tanto mais se alarga o mundo! |
|
Não temo que alguém me
aponte
Os beijos que dou por bem!
- É humana toda a fonte
Que não nega água a ninguém! |
|
A razão não se procura
Na noite de S. João.
- Nesta noite de loucura
Ter loucura é ter razão... |
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|
Garnizé |
|
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|
Sempre |
| |
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|
|
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| 1972 |
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Tem um céu bem
estreitinho
Meu olhar-balão feliz:
Vai das pedras do caminho
À janela onde sorris. |
|
Agora deito balões;
Criança, deitava estrelas.
- Sempre atrás das ilusões
E sempre, sempre a perdê-las! |
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Com dois filhos no
regaço,
Outros dois presos à saia,
Que feliz trevo eu abraço
Com medo que a sorte caia! |
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|
Luar
de Cristal |
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Fu Li
On |
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Tinita |
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| 1971 |
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Nós em casa somos
oito,
Num rancho bem alinhado!
- Se o trevo de quatro é sorte,
Já levo a sorte em dobrado! |
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Deixa falar quem
desdenha
Da fogueira que acendemos.
Tu deste o lume, eu a lenha
Ao mundo nada devemos!... |
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Foi em rusgas como
estas
Que me perdi por alguém;
Hoje a saudade faz festas
A quem mais festas não tem. |
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Tio
Quim |
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Musa
Triste |
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Violabis |
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| 1970 |
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Sou velhinho, S. João,
Mas não nego que me afoite
A ir de ramo e balão
Nos braços da tua noite! |
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Mau S. João, bem
podias
Dar-me brasas que já tive,
Porque a roda dos meus dias
É só de cinzas que vive! |
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Poeta, que tens
maneira
De rir do mundo à vontade:
Faz do sonho uma fogueira,
E queima nela a saudade! |
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Miragaia |
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Cinzento |
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Alegrete |
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| 1969 |
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Sempre que bailo
contigo,
Sinto a alma em dois pedaços:
- Em penitência a teus pés
Em pecado nos teus braços! |
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Arde ao sol, à chuva,
ao vento!
Amor - fogueira sagrada!
Não importa o sofrimento,
O que importa é ser amada!... |
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Como a fonte
ressequida
Que a todos deu a beber,
Também dei tanto na vida
Que me esqueci de beber. |
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Popica |
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Margarida Dalva |
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Sombra |
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| 1968 |
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Fontes há muitas, mas,
vede
Que toda a gente é perdida,
Se a vida de quem tem sede
Não tiver sede de vida. |
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Trevos da sorte não
colhas
Se o teu destino é mais forte:
- Só terás em quatro folhas
Sonho, amor, saudade e morte! |
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Parte a noite em
quente alarde
E a saudade vem rendê-la;
Porque não parte a saudade
Ficando a noite em vez dela? |
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Rosa
Desfolhada |
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Crisálida |
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Cinza
Morta |
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| 1967 |
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Quando a saudade é
presença
Dum beijo que nos queimou,
Muito se engana quem pensa
Que a fogueira se apagou... |
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Na graça do teu bailar
Fiquei preso de tal jeito
Que por sorte, ou por azar,
Te trago a bailar no peito! |
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Menina, se vais à
fonte,
Não vás sozinha, cuidado!
Não queiras que o mundo conte
Os passos que não tens dado... |
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Sayonara |
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Zé do
Porto |
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Zezinho |
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| 1966 |
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S. João, vê como é
triste
Depois da lenha queimada,
Sentir que a vida 'inda existe
E ser fogueira apagada!... |
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Temos do trevo da
sorte
Duas folhas: nós os dois!
O resto não nos importa...
As outras virão depois. |
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Trevo da sorte
comprado
É sorte que não se tem...
Se a sorte fosse ao mercado
Já não a tinha ninguém... |
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Indino |
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Riomar |
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Caelo |
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| 1965 |
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Todos temos nesta vida
O nosso trevo da sorte.
Colhem-no uns ao nascer,
Outros na hora da morte. |
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Se a saudade fosse pão
Igual ao que a gente come,
Na noite de S. João
Ninguém morria de fome. |
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Foge à fogueira,
Maria,
Se não o tempo, verás,
Transforma a tua alegria
Em rapariga ou rapaz... |
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Bernardino Pedro |
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Saudosista |
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Fernando Liszt |
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| 1964 |
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Ao pé do trevo colhido
Temos outro por colher:
É um, o tempo vivido,
Outro o que está por viver. |
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Deste-me um trevo de
pano,
Guardei-o no coração:
Vale mais ter um engano
Que perder uma ilusão. |
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Eu sou a fogueira
morta,
Triste fogueira da rua...
Quis findar à tua porta
A lenha que já foi tua!... |
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Toninho |
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Vento
Sul |
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Flor
Bela |
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| 1963 |
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Deste-me um beijo,
Manel,
Na noite de S. João.
Deus queira que tanto mel
Não traga nenhum ferrão. |
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Eu perdi-me na
fogueira
E fui fogueira perdida...
Depois chorei e fui fonte
Fui fonte porque dei vida! |
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Para bailar, meu amor,
Não me estreites desse jeito,
Pois posso ficar da cor
Do trevo que tens ao peito!... |
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Lena |
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Araducta |
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Voz do
Oiro |
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| 1962 |
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Na noite de S. João
Fui contigo, enlouquecida!
Na fogueira dos teus braços,
Abri os braços à vida!... |
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A mágoa que anda
escondida
Nas trovas que andam no ar,
Se pudesse ser medida,
Dava a medida do mar! |
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Passei pela tua porta
E, na cinza que restava,
Senti que a fogueira morta
Nunca mais ressuscitava! |
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Rosa
Sem Cravo |
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Tio
Arruda |
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Musa
de Junho |
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| 1961 |
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Seja longa ou seja
breve,
Toda a cantiga quebranta:
- A pedra fica mais leve
Quando o pedreiro lhe canta. |
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Seja a fonte alegre ou
triste,
Quando canta, a sua voz
Tem qualquer coisa que existe
No peito de todos nós! |
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Se às quatro folhas do
trevo
Pedes a sorte, vê bem
Que esta carta que te escrevo
Tem quatro folhas também. |
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Vitta |
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Radamento |
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Julmar |
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| 1960 |
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S. João... cravos aos
molhos,
Manjericos pela rua...
E no sonho dos teus olhos
Balões grandes como a lua!... |
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Agora que tu és minha,
Ó fonte que me encantava,
Quisera a sede que tinha
Quando, em vão, te procurava. |
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Teus olhos lembram,
meu bem,
As noites de S. João...
- Há fogueiras, quando vêm
- Orvalhadas, quando vão... |
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Mira |
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Alfazema |
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John |
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| 1959 |
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O que é triste é ser
mulher!
Se não reparai e vede:
- Nasce uma fonte onde quer,
Onde quer se mata a sede. |
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Quem é triste que se
afoite
E deixe a mágoa esquecida,
Que esta noite não é noite
De deitar contas à vida! |
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Siga o vira! Eu cá
desdenho
De vós todos que virais!...
- Quem tem um par como eu tenho
Já não pensa em virar mais! |
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Sayonara |
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Rapioqueiro |
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Mandonel |
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| 1958 |
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Coração sem ter ciúme
Nunca pode ser meu par:
Fogueira com pouco lume
Não me convida a saltar!... |
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S. João, não é pecado
Roubar um beijo ao meu bem.
Deus perdoa o pão roubado
Que mata a fome de alguém! |
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Esses teus brincos
compridos,
Logo que a dança começa,
São dois pardais atrevidos
A comer frutas à pressa. |
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Musa
Triste |
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Zé do
Porto |
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Marli |
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| 1957 |
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Quando os teus pés
leveirinhos
Saltam nas pedras da rua,
Fazem lembrar dois pombinhos
Bailando à volta da lua. |
|
Sedentas da tua boca,
Rezam as fontes, baixinho,
Para que Deus te dê sede
E as ponha no teu caminho... |
|
Em noite de S. João
É que tu mostras quem és:
Sais a bater o tacão,
Entras em bicos de pés... |
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Santelmo |
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D.
Fuas Roupinho |
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São -
Joaneiro |
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| 1956 |
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Ias na rusga sozinha,
Fiz de conta que não vi,
Mas a alegria que eu tinha
Foi na rusga atrás de ti! |
|
Três folhas! Ninguém
se importe
Se o trevo tem menos uma...
Mais vale ter pouca sorte
Que não ter sorte nenhuma! |
|
Dizes que ficas doente
Quando me beijas; pois bem:
- Beber água da nascente
Nunca fez mal a ninguém. |
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Arievilo |
|
Bandarra |
|
Azul
Celeste |
| |
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| 1955 |
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São João! Não é
loucura
Por amor ser-se perdida.
Pois se a alma fica pura
Nada se perde na vida. |
|
Bruxedo? Não penses
nisso,
Nem queimes ervas aos molhos:
Onde há no mundo feitiço
Que te não arda nos olhos?... |
|
Ai! Tempo das minhas
tranças
- Tempo do vira na eira!
Foram-se tranças e danças...
Estou sem eira nem beira! |
| |
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Giesta |
|
Sempre
Noivo |
|
Maria
Só |
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| 1954 |
|
De saudades ficou
cheia
A terra que tu pisaste:
Do teu pezinho sem meia,
Da forma como bailaste. |
|
Não ando às tuas
esmolas!
Vou bem à festa sem ti...
- Já mandei pôr meias-solas
Nas chinelas que rompi... |
|
Quis ser lume de
fogueira,
P'ra queimar o meu ciúme;
E passei a vida inteira
A deitar água no lume. |
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|
Manuel
Tripeiro |
|
Anitrebla |
|
Ida
Lina |
| |
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| 1953 |
|
Não me peças que te
conte
A causa da minha mágoa.
Quem passa bebe da fonte
E deixa correr a água... |
|
Lá vai na rusga que
passa...
Chama-lhe o mundo perdida!
Quem canta e ri na desgraça,
Não perde tudo na vida. |
|
É melhor ficar calado
Do que dizer mal de alguém:
O balão morre queimado
Só pela boca que tem... |
| |
|
Xix |
|
Engida |
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Sisudo |
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| 1952 |
|
Sou do vira e tu da
valsa...
Não queiras dar-me ilusões.
- Mais vale dançar descalça
Do que tombar dos tacões... |
|
Falei-te à porta de
casa,
Fugiste da minha beira...
- A faulha, quando em brasa,
Também foge da fogueira! |
|
Nem toda a festa tem
graça,
Nem toda a gente é contente:
- Há graças com que a desgraça
Faz festas a toda a gente! |
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Maria
Impar |
|
Cupido |
|
Lean |
| |
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| 1951 |
|
Dança, meu alecrim
verde,
Mas não percas a chinela.
- quando a chinela se perde
Vai logo o pé atrás dela. |
|
De ti falou toda a
gente;
Coraste aos olhos do mundo:
- Fonte de água transparente
Que mostra a sombra no fundo... |
|
O cravo que me
roubaste
Teve mais sorte do que eu:
- Com tanto jeito o embalaste,
Que ao teu peito adormeceu! |
| |
|
João
do Mar |
|
M. S. |
|
Etiel |
| |
|
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| 1950 |
|
De nós dois fez quatro
a vida;
Dos quatro, fez três a morte:
- Por uma folha perdida,
Perdido o trevo da sorte! |
|
Contradição desmedida
É ver, num filho, o balão
Que deva subir na vida,
Sem que nos saia da mão!... |
|
Ó fonte! Podia dar
Aos meus olhos o teu pranto!
Eu sofro mais sem chorar;
Tu, sem sofrer, choras tanto! |
| |
|
Eugénio de Paiva Freixo |
|
Gaiato |
|
Melancólica |
| |
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|
|
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| 1949 |
|
Não sejas tão
presumida
Oh fonte do meu lugar!
- Olha que há sedes na vida
Que não podes apagar!... |
|
Coração, bate com
jeito,
Que a fogueira da saudade
Arde mansinho no peito
E dura uma eternidade... |
|
Falam de mim por
cantar,
Por ser alegre e me rir;
Quem não tem por que chorar,
Não vai chorar a fingir... |
| |
|
Maria
da Fonte |
|
José
Moreno |
|
Larialirio |
| |
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|
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| 1948 |
|
Eu não sei ver de
olhos secos
O "fogo-preso", querida!
- Nós também somos bonecos
No fogo-preso da Vida! |
|
Quando tu danças
comigo,
Apertas-me tanto ao peito
Que eu sinto dois corações:
... um esquerdo, outro direito!... |
|
Amor, Desejo, Ciúme,
- Três fogueiras no meu peito...
Eu nunca vi tanto lume
Em arraial tão estreito!... |
| |
|
Poeta
ignorado |
|
António Joaquim da Silva |
|
Fernando Carneiro |
| |
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|
|
|
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| 1947 |
|
A roda em que andei
rodando
Nos braços do men Manel
Foi-se estreitando, estreitando...
- Até caber num anel!... |
|
Mais uma noite
perdida!
Que importa - Pergunto eu -
Que perca, durante a vida,
A noite que me perdeu?... |
|
Quem dá cravos por
amor
Sabe d'amor a preceito:
Dos cravos fez o Senhor
Corações fora do peito! |
| |
|
Maria
Feliz |
|
Sofredora |
|
Fu-King |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1946 |
|
Eu contei todas as
voltas
Que na roda te vi dar;
Faltou-me contar aquela
Donde voltaste a chorar! |
|
És na roda tão
leveira,
Sempre que vais a meu lado,
Que nem a própria poeira
Dá por que a tenhas pisado... |
|
Sempre que danças
comigo,
Não atino por que jeito.
És tão leve nos meus braços
E pesas tanto em meu peito... |
| |
|
Ancelo |
|
Jaijai |
|
Jaime
António |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1945 |
|
Tu e eu, de carvo ao
peito,
Fomos dançar e, depois,
A roda deu-nos o jeito
Dum ramo feito dos dois! |
|
Nunca o mundo está
contente
Até quando canta e dança...
Se é criança, quer ser gente,
Se é gente, quer ser criança! |
|
São João, se puder
ser,
Deixa-me casar mais cedo.
'Stou mortinha por trazer
Uma aliança no dedo... |
| |
|
António Dias Abrantes |
|
José
A. Pereira da Costa |
|
Orima |
| |
|
|
|
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|
| 1944 |
|
Leveira e cor de
azeitona,
Oh! Que chinela fui eu!
... Perdeu-me aqui minha dona,
Na roda em que se perdeu. |
|
Se dancei mal, não se
ria,
Nem conte isso a toda a rua,
Que eu só vi minha alegria
Que bailou sempre na sua. |
|
Da imensa cascata
erguida
Sobre este mundo bizarro,
Apenas somos, na Vida,
Pobres bonecos de barro... |
| |
|
Engeitada |
|
Feliz
Ventura |
|
Semiramis |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1943 |
|
O trevo que te roubei
Não me deu sorte de jeito:
- A sorte que o trevo tinha
Era encontrar-se ao teu peito!... |
|
Sentes sede, vais
beber...
Algum dia já pensaste
Que a fonte pode sofrer
Da sede que lhe deixaste? |
|
Não é de vaso perfeito
Que o cravo tem perfeição.
- Nem pela graça do peito
Se tira a do coração. |
| |
|
Trovador |
|
Boneca
do Século XXX |
|
Zé-Maria |
| |
|
|
|
|
|
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| 1942 |
|
Falam de ti, meu amor,
Mas quero-te mesmo assim:
- Quanto mais calcado for,
Mais cheiroso é o alecrim!... |
|
Disse, a medo, por te
ver,
Com a fogueira a brincar:
- "Com o fogo não se brinca" -
E eu morto por me queimar... |
|
Ó fonte do Outeirinho,
Dize-me lá por que jeito
Sendo um ai tão ligeirinho
Nos pesa tanto no peito?! |
| |
|
Alice
G. |
|
Giesta
Brava |
|
Fernanda |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1941 |
|
Na fogueira dos teus
olhos
Queimei os olhos, meu bem!
Ventura queimar os olhos
Para não ver mais ninguém! |
|
Andas na roda da vida,
Passando de mão em mão:
- Mesmo a semente perdida,
Também às vezes dá pão! |
|
Ó trevo de quatro
folhas,
De quatro folhas iguais...
Alguém mo deu: - que esperasse.
Esperei! - não voltou mais!... |
| |
|
António |
|
A. F. |
|
António Reis |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1940 |
|
Fonte de tantas
tristezas,
Sei quem és, sei onde moras:
És o que sou - porque rezas,
Vives em mim - porque choras! |
|
Ouvir falar uma fonte
É ouvir o meu petiz:
Não há nada que não conte
E ninguém sabe o que diz. |
|
É tão leve o teu
pezinho
Que parece, ao bailar,
Asa roçando o caminho
Com desejos de voar! |
| |
|
Ofélia |
|
Alfrema |
|
Açucena |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1939 |
|
Os olhos dos meus
filhinhos,
Quando estão p'ra adormecer,
São tal e qual balõezinhos
A apagar e a acender. |
|
Desde que à fonte
sorriste,
Inda ninguém descobriu
Se chora porque fugiste,
Se canta porque te viu... |
|
Fogueiras - Deus vos
mantenha!
Vida e chama, ardei assim...
Nós somos a pobre lenha
Desta fogueira sem fim. |
| |
|
Romeu
e Julieta |
|
Nicolau Eusébio |
|
A. TO
BE. |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1938 |
|
A minha boca e a tua
São quatro lábios em brasa,
Fogueiras da nossa rua,
Quemtura da nossa casa! |
|
Parece véu de rainhas
A tua saia de folhos!
Quem lhe orvalhou camarinhas?
Foi a noite ou os meus olhos?... |
|
Na roda tão pequenina
Pequenina és tu também:
Cinco réis de bailarina
Na rodinha de um vintém... |
| |
|
António Gomes Beato |
|
Zeca-Nedo |
|
Traquina |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1937 |
|
Neguei-lhe um beijo.
Fugi...
E as cartas dele queimei!
Finda a fogueira, tremi...
Depois as cinzas beijei!... |
|
Eu amo duas meninas
De grandes saias de folhos:
- Essas doiradas traquinas
Que bailam nesses teus olhos!... |
|
Cascatas da minha
terra,
Sois um mundo pequenino!
Onde a vida se descerra
Como um sonho de menino! |
| |
|
Angelo
de Menezes |
|
Amélia
Vilar |
|
Elsa
de M. Coelho |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1936 |
|
Trevo feliz, - duas
vidas
Nesta vida - encanto e asa:
Que duas bocas unidas
São quatro folhas em brasa... |
|
"Mulher perdida",
disseste
Quando no rancho passei.
Foi tudo quanto me deste,
Em paga do que te dei... |
|
Trazes um cravo no
seio,
Com tanto carinho e jeito,
Que até parece que trazes
O nosso filhinho ao peito... |
| |
|
Julieta Teixeira |
|
Lena |
|
Ana
Rosa |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1935 |
|
Hoje, amor, um beijo
encerra
A graça de S. João:
Se o sol não beijasse a terra,
A terra não dava pão. |
|
Noitada de S. João,
Velha a chorar, moça a rir:
Uma chora os que lá vão,
Outra espera os que hão-de vir. |
|
Já as fogueiras
arderam
E ainda há brasas na rua:
São beijos que se perderam
Da minha boca p'rá tua. |
| |
|
João
Simples |
|
Mateisil |
|
João
Vicente |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1934 |
|
Amas os cravos? -
Então,
Cumpre, Amor, o meu conselho:
- Rasga em cruz meu coração
Terás um cravo vermelho!... |
|
Vê bem o tempo que
perdes,
Se o trevo vais procurar...
São trevos meus olhos verdes
Não passes sem reparar!... |
|
Não saltes sobre a
fogueira
Que o nosso amor acendeu...
Lancei-lhe incenso nas brasas:
Deixa-o subir para o Céu. |
| |
|
Amélia
Vilar |
|
Zaira
Fernando de Sousa |
|
Jorge
de Moura |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1933 |
|
Recordaste outras
noitadas,
Chorando, junto ao bercinho,
E a pensar nas orvalhadas
Orvalhaste o meu filhinho!... |
|
Guitarra cheia de
laços,
Anda p'rá rua mais eu...
Que eu quero dormir nos braços
De quem os laços te deu. |
|
? Porque esta mágoa
sentida,
Que me adivinhas na voz ?
- Há tanta dor escondida,
Que canta dentro de nós!... |
| |
|
M. Araújo |
|
Olegna |
|
A.
Fernandes |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1932 |
|
Tão branquinho como a
neve,
Vermelho o cravo ficou:
Beijou-te o seio, de leve,
Teve vergonha, corou... |
|
Este amor, perdido
enlevo,
Anda de rastos, desfeito...
Mais rasteirinho é o trevo
E tu pões o trevo ao peito!... |
|
Olhos vom olhos - a
chama,
Lábios com lábios - braseira.
Abraços - tudo se inflama,
Arde amor numa fogueira. |
| |
|
Samaritana |
|
Max |
|
A. Ramos |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1931 |
|
Orvalhadas são
as rendas
Do bragal dos pobrezinhos...
O Senhor também dá prendas
A quem dorme nos caminhos. |
|
Quando as saias
arregaça,
Para bailar livremente,
Maria, cheia de graça,
Faz a desgraça da gente... |
|
Orvalho do céu
caindo,
Tantas luzinhas a arder...
S. João, como isto é lindo...
- Que pena a gente morrer!... |
| |
|
Diário
Nuno |
|
Salomé |
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
| 1930 |
|
Passa o rancho -
e uma velhinha,
Que já foi linda e que amou,
Fica na sombra, sozinha,
A chorar quem Deus levou! |
|
Não cobices o
craveiro
Que tenho no meu jardim.
Só se quer's ser jardineiro:
Olhas por ele e por mim... |
|
Deste hoje ao
noivo adorado
Três cravos... (Também Jesus
Com três cravos foi pregado
Por muito amar, numa cruz). |
| |
|
D.
Juan |
|
Maria
Luísa |
|
Zé
Minhoto |
| |
|
|
|
|
|
|
| 1929 |
|
Os teus olhos
são fogueiras,
Onde os meus querem bailar.
Hei-de cansar os meus olhos
À volta do teu olhar. |
|
Quem
me dera, meu amor,
Ser a erva dos caminhos,
P'ra sentir no S. João,
O bailar dos teus pezinhos! |
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Ao saltar duma
fogueira
Na noite de S. João,
Não sei bem de que maneira
Chamusquei o coração. |
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Salvador Dantas |
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Júlio
de Alvapenha |
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Euclides Sotto Mayor |
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